FILME "A ILHA" x MITO DA CAVERNA DE PLATÃO

Série acadêmica

Um-home-conversando-com-uma-moca

O filme

O filme “A Ilha” mostra uma sociedade composta por indivíduos que viviam isolados em um abrigo, mantidos completamente controlados por um grupo de pessoas, sob os argumentos de que eram os únicos sobreviventes de uma contaminação que se alastrou por todo o planeta e de que um dia eles iriam para o único lugar terrestre, fora do abrigo, que escapou do contágio, a ilha, um lugar paradisíaco.

Cena do filme “A Ilha
Os sobreviventes viviam sob regras rígidas, tanto em termo de trabalho como de suas necessidades fisiológicas - atividades físicas, severo controle de saúde e psicológico – bem como socialmente - não podiam fazer amigos livremente nem namorar -, sendo mantidos em idade mental de aproximadamente quinze anos e não conhecendo nenhum passado real.

Todos almejavam um dia ir para a ilha, algo que só aconteceria se fossem sorteados. Esta possibilidade ajudava na motivação dos aprisionados.

Um dos sobreviventes, entretanto, começou a questionar aquele tipo de vida. Descobriu um inseto que chegou ao abrigo e não estava contaminado, além de conseguir manter contato com um dos funcionários que não morava com eles e não tinha contaminação. Em uma de suas escapadas dos ambientes permitidos do local, alcançou o hospital onde estavam alguns de seus colegas recém sorteados para irem à ilha, percebendo que eles eram sacrificados, depois de darem à luz ou de terem seus órgãos retirados para uso posterior.

Cena do filme “A Ilha
Após estas descobertas, conseguiu fugir, levando sua amiga, que acabara de ser sorteada. Na fuga, passa por um grande recinto onde pessoas eram mantidas dentro de cápsulas em estado vegetativo. Desvenda, com a ajuda do referido funcionário, que todos no abrigo eram clones de pessoas que viviam no mundo exterior e que o motivo de suas existências era meramente terapêutico, pois eram manipulados quando seus “donos” apresentassem algum problema de saúde. Era grande o valor financeiro investido para tal fim. O sorteio para a ilha se dava exatamente quando o “dono” ficava doente e necessitava de algum órgão do clone, ou seja, esse sorteio não existia.

Depois de muitas perseguições, o clone chega até o seu “proprietário”, consegue assumir todos os bens e modo de vida deste, que acaba sendo morto por engano durante tentativa de captura do fugitivo. Apaixona-se por sua amiga de fuga e irá curtir a boa vida herdada. Porém, antes disso, retornam ao abrigo a fim de soltar e resgatar todos os seus ex-companheiros.

Relação com o mito da caverna de platão

A relação do filme com o mito da caverna se dá em muitos aspectos. O abrigo seria a caverna; os clones, os homens algemados desde a infância; as regras rígidas, as algemas e o fato de aqueles homens permanecerem sempre no mesmo lugar e não  poderem olhar para os lados e para trás; o estado de alienação – o trabalho, a sobrevivência da contaminação e o sorteio para ir à ilha – corresponderia à ideia de que só existiam sombras e de que elas caminhavam e emitiam sons.
Ilustração do Mito da Caverna
Os clones, assim como os homens da caverna não conseguiam deduzir a verdadeira realidade a que estavam submetidos, pois viviam aprisionados e sem questionarem as razões de serem tão controlados.

O clone que ousou questionar e fugir, como o homem filósofo que deixou a caverna, conseguiu enxergar os objetos, o sol, a realidade. Saiu do mundo visível, das aparências, das ilusões, do sensível para o mundo da dedução, da razão, da descoberta dos porquês, do inteligível.

Apesar do insucesso do filósofo, que voltou à caverna para resgatar seus ex-colegas, sendo desacreditado e morto como o mito de Platão deixa subentendido, o clone retornou ao abrigo e obteve êxito na libertação de todos os ex-companheiros.  
  
REFERÊNCIAS

TREDWELL-OWEN, Caspian. Filme A Ilha. Direção: Michael Bay. Roteiro: Caspian Tredwell-Owen, Alex Kurtzman, Roberto Orci. EUA, 2005.

PLATÃO. A República: Livro VII. Trad. Enrico Corvisieri. São Paulo: Nova Cultural Ltda., 1997.

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