SERVIÇOS ELETRO-ELETRÔNICOS E DE TELECOMUNICAÇÕES

Assiste-se hoje no Brasil, no que tange aos serviços de telecomunicações e eletro-eletrônicos, a diversas deformações decorrentes da falta de investimentos no setor e da falta de fiscalização por parte das Agências Reguladoras, do Ministério Público e dos CREA´s regionais.
Esses serviços são concedidos a grandes empresas que os terceirizam para médias, que, por sua vez, os quarteirizam para pequenas empresas, prestando-os de forma tão precarizadas que muitas destas duas últimas não possuem, em seus quadros permanentes, um único técnico de nível médio da área (eletrotécnica, eletrônica ou telecomunicação), ao aproveitar apenas funcionários com alguma experiência, mas sem formação técnica. Na ávida tentativa de maximizar os lucros, estas empresas preferem empregar técnicos especializados apenas por pequenos períodos, para passar seus conhecimentos de maneira prática a ajudantes, auxiliares e motoristas, contratados a baixíssimo custo, os quais, sem a intenção de discriminá-los, só poderiam exercer tais funções técnicas após concluir a respectiva formação.
Se isso acontece aos técnicos especializados de nível médio, o que dizer dos profissionais de nível superior da área? As empresas de grande ou médio porte os contratam para atender, individualmente, a vastas regiões. Não é por acaso que um dos maiores índices de abandono de carreira pertence aos engenheiros dos cursos correlatos, principalmente aos de engenharia elétrica. Esses engenheiros, de tão especializados que são, acabam saindo do País ou buscando os concursos públicos, em funções bem diferentes da sua original.
Sem a pretensão de ingressar na esfera jurídica, questiona-se: qual a ética empregada pelas empresas desses setores? Seria a ética utilitarista, consubstanciada na maximização cega dos lucros, em que o fim justificaria os meios? É o estado geral em que se encontra a área, após as privatizações, resultando então daí um dos serviços mais caros e ineficientes do mundo.
O Brasil não pode, de nenhuma forma, abrir mão desses profissionais, pois, além do alto custo de formação, são eles os mais ligados à alta tecnologia eletro-eletrônica e à infraestrutura de telecomunicação, capazes de fomentar mais desenvolvimento tecnológico, melhorar os serviços prestados aos consumidores e trazer mais independência ao País, seja relativamente ao setor, ou em relação a todos os gargalos dos setores industriais.
Apesar das medidas do governo no intuito de melhorar a infraestrutura por meio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e da aplicação recente de sanções às empresas de telecomunicações por falta de investimentos, elas serão insuficientes, se todos os órgãos de controle e fiscalização não agirem conjuntamente. O papel do governo (esferas federal e estaduais do Executivo) e de suas Agências Reguladoras, Aneel e Anatel, do Ministério Público, do Judiciário e, sobretudo, dos CREA´s regionais é preponderante nesta empreitada. A competição deve ser incentivada, mas não a qualquer custo, pois o seu efeito pode ser contrário, como de fato ocorreu e ainda está acontecendo.

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